Quem disse que o cinema tupiniquim não faz cinema de qualidade? Nesse post não apenas afirmamos o contrário, como também estabelecemos uma lista dos dez maiores trabalhos cinematográficos já produzidos no Brasil.
Então, vamos à lista!
10 º O Auto da Compadecida (dirigido por Guel Arraes, 2000): seria muito difícil transformar a peça teatral do grande rubro-negro Ariano Suassuna em um filme que desse errado. Ainda bem que isso não aconteceu. Elenco fantástico (destaque para a dupla Matheus Nachtergaele e Selton Mellon, bastante afiados e entrosados), personagens marcantes, roteiro riquíssimo e uma ótima trilha sonora compõem esse longa relevante e divertido!
Então, vamos à lista!
10 º O Auto da Compadecida (dirigido por Guel Arraes, 2000): seria muito difícil transformar a peça teatral do grande rubro-negro Ariano Suassuna em um filme que desse errado. Ainda bem que isso não aconteceu. Elenco fantástico (destaque para a dupla Matheus Nachtergaele e Selton Mellon, bastante afiados e entrosados), personagens marcantes, roteiro riquíssimo e uma ótima trilha sonora compõem esse longa relevante e divertido!
8º Bicho de Sete Cabeças (dirigido por Laís Bodanzky, 2000): projeção ágil, direta e forte. A direção é frenética, o elenco está ótimo, as músicas do Arnaldo Antunes funcionam dentro da história e o senso de revolta criado é fortíssimo! As cenas que abrem e que fecham a película dificilmente serão por mim esquecidas. Um dos melhores filmes a denunciarem a realidade manicomial.
7º O Que É Isso, Companheiro? (dirigido por Bruno Barreto, 1997): filme tenso e importante. O elenco é forte (Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Selton Mello, Laura Cardoso, Marco Ricca, Luís Fernando Guimarães e por aí vai); a direção, segura; a fotografia é ótima (sóbria, cheia de cores frias) e a trilha sonora, tensa. A iluminação do longa tem a capacidade de reforçar o peso e a gravidade da história contada. E ainda tem a participação do grande ator oscarizado Alan Arkin. Filme-documento extremamente bem executado.
6º Central do Brasil (dirigido por Walter Salles, 1998): projeção sincera, rica em conteúdo, de uma carga emocional altíssima. Dora e Josué são personagens cuja relação é imortalizada na memória dos cinéfilos. A película tem ótimas fotografia (Walter Carvalho fez um trabalho excelente, como de costume), direção e trilha sonora, e retrata muito bem a pobreza do povo brasileiro e, simultaneamente, as suas riquezas culturais e valorativas. Isso sem falar na excepcional atuação de Fernanda Montenegro, que deveria ter ganho facilmente o Oscar de melhor atriz, mas só ficou na indicação.
5º Lavoura Arcaica (dirigido por Luiz Fernando Carvalho, 2001): longa forte, complexo, indecifrável. Uma projeção rica em diálogos líricos riquíssimos e magistralmente interpretados. Todo o elenco está bárbaro - a começar do Selton Mello, que é o único capaz de rivalizar com Wagner Moura pelo posto de melhor ator brasileiro vivo. O estudo sobre André (personagem principal do filme) é pesado (talvez até esteja entre os melhores da história do Cinema). A trilha sonora, derivada de melodias árabes, é fantástica, e a fotografia é espetacular (a melhor de qualquer película brasileira, de autoria também do Walter Carvalho)! O resultado disso tudo é épico!
4º O Pagador de Promessas (dirigido por Anselmo Duarte, 1962): no auge do movimento cinematográfico brasileiro denominado de Cinema Novo, foi lançado o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes. A película é muito hábil em criar um senso de claustrofobia e inquietação no público. Tem um ótimo elenco e um roteiro brilhantemente escrito (abordando temas como sincretismo, intolerância religiosa e a manipulação e o sensacionalismo midiáticos). Um filme “antigo” extremamente atual!
3º Tropa de Elite (dirigido por José Padilha, 2007): um marco para o Cinema Brasileiro. A direção é segura e cheia de movimentos precisos; o elenco é maravilhoso (especialmente o Wagner Moura, que encarna espetacularmente um policial honesto, mas truculento); ação é bem executada; a trilha sonora original e as músicas não compostas para o filme são ótimas (grudam na cabeça como chiclete); os personagens são ricos e marcantes; a narração é excelente; o roteiro é potente e que funciona em todos os sentidos (há várias falas imortalizadas na cultura popular). Enfim, longa mal interpretado por muitos, mas que reputo como irretocável.
2º Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro (dirigido por José Padilha, 2010): um filme diferente de seu predecessor (por ter foco e estrutura distintos), mas com uma abordagem complementar ao original. Todos os pontos que funcionaram em Tropa de Elite também o são na continuação, mas os conflitos são expandidos e a trama consegue ir além, à raiz do sistema corrompido brasileiro. O resultado disso é um longa que não para, de tensão constante, com potencial de despertar uma nação. Tão crítico, relevante e revoltante que funciona como um soco no estômago de quem o assiste. Excepcional!
MENÇÕES HONROSAS:
Terra em Transe (dirigido por Glauber Rocha, 1967)
Dona Flor e Seus Dois Maridos (dirigido por Bruno Barreto, 1976)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (dirigido por Glauber Rocha, 1964)
Abril Despedaçado (dirigido por Walter Salles, 2001)
O Som ao Redor (dirigido por Kleber Mendonça Filho, 2013)
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (dirigido por Cao Hamburger, 2006)
Cinema, Aspirinas e Urubus (dirigido por Marcelo Gomes, 2005)
Cheiro do Ralo (dirigido por Heitor Dhalia, 2007)
Limite (dirigido por Mário Peixoto, 1930)
Que Horas Ela Volta? (dirigido por Anna Muylaert, 2015)
O Palhaço (dirigido por Selton Mello, 2011)
Pixote, A Lei do Mais Fraco (dirigido por Hector Babenco, 1980)
1º Cidade de Deus (dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002): um filme que tem tudo: uma direção segura, inventiva e cheia de recursos (a prova disso são os enquadramentos e movimentos de câmera de fazer cair o queixo); um roteiro impecável, que choca, denuncia, faz refletir e diverte (com vários momentos engraçadíssimos, diga-se); vários personagens memoráveis, com tempos de cena perfeitos (o que falar de Zé Pequeno?); atuações naturalíssimas (até porque várias pessoas que contracenam no longa não são/eram atores - o que é um mérito da película, visto que o seu elemento humano é perfeito); ótima trilha sonora e excelente mixagem de som; grande fotografia, saturada para cores escuras na medida certa; um ritmo excepcional (todas os segmentos funcionam maravilhosamente bem)... Enfim, uma projeção que merece estar em todas as listas de melhores filmes em que consta (e acredite, são muitas). Genial!
ANDRÉ MATEUS









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