O que esperar de uma cidadezinha pacata, quase que interiorana? Depende.
Na série Fargo temos pessoas quase que caricatas, contudo, como em qualquer sistema que funciona previsivelmente, quando este sofre um mínima influência a realidade muda, e isso traz consequências.
Focalizando no protagonista, Lester Nygaard, temos a figura do homem inseguro, cheio de medos, frágil, fraco, fracassado, mas que acho que está cumprindo sua função na sociedade, que se consubstancia em tratar bem as pessoas, aceitar as críticas e humilhações de quem quer que seja. Lester, no primeiro momento, mostra-se um ser completamente passivo. Tudo isso até ele, por um acaso do destino, deparar-se com Lorne Malvo, um criminoso frio e calculista. O hospital, sem dúvida, um lugar mais que propício para colocar para fora suas mazelas e curar sua alma, é o ambiente desse encontro.
É interessante como muitas vezes um mal entendido pode trazer consequências em grande proporção. Isso mesmo, um desabafo de Lester desperta um sentimento de vingança em Lorne Malvo, meio "altruisticamente", ele vai vingar seu novo "amigo" Lester.
Lester, carregado de culpa pelo que ele diretamente não fez, solta seus demônios com quem mais lhe afeta, mas de uma maneira completamente inesperada, sórdida, cruel. Nesse momento temos a evolução do personagem, que passará por uma queda moral completamente inesperada para o espectador. Suas atitudes serão carregadas dessa vilania, no entanto, a maldade lhe traz segurança, autoconfiança e crescimento em suas relações e em sua profissão.
Fargo é uma série memorável, não apenas por inspirar-se em um excelente filme dos ganhadores do Oscar (Onde os Fracos não tem vez e Fargo), Globo de Ouro (Onde os Fracos não tem vez) e da Palma de Ouro em Cannes (Barton Fink), os Irmãos Coen, que por sinal são os produtores executivos da série, mas por prezar pela qualidade em cada detalhe de sua produção.
Vivemos num momento em que é completamente impossível acompanhar todos os seriados, pois o mercado televisivo está fervendo, é difícil identificarmos séries que se atenham aos mínimos detalhes, como aqui em Fargo.
A direção é muito boa. A série é bem conduzida, sem apressar-se deixando brechas no enredo, nem muito menos enrola o espectador ao longo do desenrolar da história.
A fotografia é belíssima!! Preferindo planos abertos, que valorizam o beleza do ambiente, que, na maioria das vezes vemos muita neve, fazendo menção a uma folha em branco onde a história é escrita através dos personagens, traz uma beleza poucas vezes vista em séries.
A trilha sonora é simples, mas espetacular. Ela parte de música clássica para os momentos mais introspectivos para solos de bateria para as brigas e momentos de tensão.
O roteiro é perfeito!! Diálogos interessantes, em nenhum momento fica cansativo. A história é muito bem contada, sem deixar margens.
Talvez o maior dos destaques seja a qualidade das atuações. Billy Bob Thornton está incrível!!! Um vilão frio e calculista, cruel, sem ser caricato. Além do querido Martin Freeman, que cria uma empatia no público nos primeiros minutos de cena. Ele é incrível. Para mim, esse é o seu melhor trabalho. A série ainda conta com outros rostos conhecidos do mundo das séries.
Fargo é uma série imprevisível, sanguinária, envolvente e carregada por um humor negro peculiar dos irmãos Coen.
Não costumo dar notas em minhas avaliações, mas esse caso cabe uma exceção...
FABIANO BRONZEADO

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