Há filmes que grudam na sua mente e nunca vão ser esquecidos, seja por serem divertidos, emocionantes, angustiantes e/ou apavorantes. Bem, Réquiem para Um Sonho não se enquadra nos dois primeiros adjetivos. Na verdade, a obra-prima do piradão e cerebral Darren Aronofsky (que sempre realiza películas de temáticas difíceis) é um soco no estômago! Uma obra que retrata com perfeição a sujeira, a agonia e a putrefação das pessoas afundadas no vício, seja por drogas ilícitas ou não.
Sinopse: Harry quer ser rico. Sua mãe Sara quer que ele seja feliz e se case. Marion, a namorada de Harry, quer ter uma griffe. Só que, enquanto sonha, Harry se encontra com seu amigo Tyrone - que tem sempre um pouco de heroína à mão. Sara sonha com uma vida mais colorida e menos solitária. Por isto vive colada na TV. Um dia o telefone toca - e ela entende que está sendo chamada para aparecer no seu programa de TV predileto. Ela quer emagrecer para este grande dia - e por isto começa a tomar pílulas que tiram a fome. Marion quer abrir sua loja e pede ajuda a Harry. Ele e Tyrone começam a traficar drogas. Em breve os três juntam bastante dinheiro: eles começam a se sentir invencíveis. Sara também está mais magra: ela se sente ótima em seu vestido vermelho.
Só que os quatro não estão livres para usufruir de seus sonhos. Eles estão viciados. E quando os hábitos viram vício, todos se sentem ainda mais sós. Ainda que Harry converse com a mãe e perceba que ela agora está elétrica e trincando os dentes… Ainda que Harry e Marion saibam que só tem um ao outro… E que Tyrone se lembre vivamente dos ensinamentos de sua mãe …
Nenhum deles consegue mais se comunicar. Os sonhos de dinheiro, fama e sucesso sucumbem diante dos pesadelos distorcidos, da dor e da dependência.
O que ele tem de bom?
Direção: Darren Aronofsky é um cineasta altamente autoral. Não há meios termos quanto à sua filmografia: ou você ama, ou você odeia. Mas uma coisa não dá pra negar: o maluco é inventivo e tem marca registrada. Em “Réquiem” ele aborda a obsessão (tema recorrente nos longas do diretor) de maneira ímpar, sem floreios. Os recursos utilizados te jogam no mundo dos personagens, o que faz da experiência algo a ser sentido. A técnica do “hip hop montage” (que reside na aceleração de imagens, acompanhadas de efeitos sonoros, a fim de simular alguma ação) é diferenciada e altamente precisa no longa. A câmera frontal que segue os personagens em momentos trágicos e tensos também é avassaladora.
Elenco: a equipe de atores que trabalhou na segunda película do diretor está fantástica. Jared Leto, Jennifer Connelly e Marlon Wayans (pois é, o ator de “Todo Mundo em Pânico” e outras bobagens esporádicas) estão excelentes no filme, completamente comprometidos com a visão do diretor. Mas o show ficou por conta da Ellen Burstyn. A atriz vencedora do Oscar, que participou do clássico de terror “O Exorcista”, foi tremendamente injustiçada no maior prêmio do Cinema em 2001! Sua performance eleva o arco de sua personagem a uma maratona de horror. A entrega da profissional, tanto no aspecto emocional quanto no físico, foi completa.
Trilha Sonora: o maior ponto positivo do longa está aqui. Aliás, a trilha sonora desse filme é a minha preferida de todos os tempos! Clint Mansell e o Quarteto Kronos entregaram aos cinéfilos uma composição que é sinônimo de pesadelos. De início, a melodia (executada através de instrumentos de corda) é convidativa, mas depois o “bicho pega”!
Conclusão: Réquiem para Um Sonho é mais que um filmaço: trata-se de uma experiência sensorial e emocional devastadora! Uma obra que consegue transmitir ao espectador sensações que apenas arte do mais alto nível é capaz. Obrigatório para todo bom cinéfilo!
ANDRÉ MATEUS

Uma abordagem significativa e clara sobre um tema tão forte parabéns
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