Quem me conhece minimamente, sabe que eu tenho um carinho especial pelo subgênero cinematográfico de super-heróis, pois foi ele quem me gerou para o Cinema. Então, mesmo quando um filme baseado em HQ’s tem uma porcentagem de aprovação tão baixa em sites de crítica, tais como o Rotten Tomatoes, é muito provável que eu o vá conferir, a fim de expressar uma opinião própria (já que, apesar de ter referências na minha jornada cinéfila, eu não sou um “Maria vai com as outras”). Foi exatamente isto que aconteceu com Batman Vs Superman: A Origem da Justiça; pelo que, agora, posso falar por mim mesmo: a projeção é decepcionante.
Comecemos falando dos pontos que o filme tem de melhor. Tecnicamente, a projeção não chama atenção em nada, mas a direção do Zack Snider, apesar de estar longe de ser ótima, mais uma vez é cheia de estilo, elegante, com alguns slow motions bem utilizados e com planos belíssimos, tais como o que abre o longa e as tomadas verticais de cima para baixo, que muito me lembraram o excelente Watchmen (2009).
O segundo ato é tenso, bem amarrado, com acontecimentos inesperados e algumas cenas de ação muito boas, principalmente a ocorrida no deserto (onde o Batman luta com um exército) e o quebra-pau entre o Morcegão e o Alien de Krypton, que os fãs desejavam tanto ver. O confronto é brutal, forte, bem coreografado e já nasce clássico, demonstrando o potencial que a projeção possuía.
O elenco do filme está razoável. Henry Cavill continua bem como Superman, mas não nos oferece um bom Clark Kent repórter. A excelente atriz Amy Adams, apesar de interpretar uma personagem mediana, está correta no longa. Jesse Eisenberg está aceitável, mas a personalidade de seu personagem foi mal construída. Laurence Fishburne e Diane Lane estão completamente subutilizados. Ben Affleck é o melhor ator na película, construindo um ótimo Homem-Morcego e um Bruce Wayne operacional.
Contudo, apesar dos acertos e das questões aceitáveis, a bagunça que é o roteiro, assinado por Chris Terrio e David S. Goyer, alavanca a película numa aspiral descendente. Há vários diálogos expositivos (aqueles onde personagens explicam de maneira detalhada o que está ocorrendo no longa para os expectadores); excessos de subtramas; um ritmo irregular; uma ausência de coesão no decorrer da história (devido aos vários focos atropelados na trama); personagens mal desenvolvidos e/ou com uma aparição abrupta, etc. Além disso, o filme é muito maçante e quase nunca empolga o público (em nenhum momento houveram vibrações e/ou gritos histéricos na sala de cinema onde pude ver o longa).
Sendo mais específico nos déficits do texto de BvS: o romance entre Clark Kent e Louis Lane não é palpável e nunca se desenvolve como deveria; o casinho do Kal-El, assim como o foi em Homem de Aço (2013), está sempre presente no meio da ação, o que não faz nenhum sentido, pela maneira como isso acontece; os acontecimentos ocorridos no Planeta Diário são rasos, bem como os que ocorrem nas Forças Armadas dos EUA; a personagem da Mulher Maravilha é inútil na trama, sendo sua participação apenas uma maneira apressada de estabelecer o Universo Cinematográfico da DC; o vilão Lex Luthor, interpretado por Jesse Eisenberg, é retratado como um Mark Zuckerberg maligno, cujo motivo do ódio pelo Superman nunca convence. A principal falha no roteiro, no entanto, é o modo como as desavenças entre os protagonistas é dissipada e como a “amizade” entre eles é construída.
Além do texto ruim, o prelúdio da Liga da Justiça tem um péssimo ato final. Ele é destituído de emoções e abarrotado de ação (das ruins, diga-se). Não bastasse isso, o Apocalypse, monstro destruidor de Krypton, é jogado no filme de paraquedas e é criado à base de efeitos visuais ora medianos, ora ruins. O desfecho é tão ruim que me fez sair da sala escura com um gosto amargo na boca.
A conclusão que cheguei ao fim de Batman Vs Superman: A Origem da Justiça é que o futuro da DC no Cinema é preocupante. Como seria bom ver o Cavaleiro das Trevas (o meu segundo herói preferido) e o Homem de Aço (personagem mais icônico dos quadrinhos) protagonizarem um longa memorável, à altura da grandeza dos dois personagens. No entanto, o que se viu foi um filme atrapalhado, sem inventividade, muito pretensioso, mas que nunca chega lá.
Nota: 4.0
ANDRÉ MATEUS

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