quarta-feira, 2 de março de 2016

SÉRIES #1 - THE GOOD WIFE: SOCIEDADE, POLÍTICA E CULTURA



Nesse aclamado seriado norte americano, produzido pela CBS, temos enfoque a história de Alicia Florrick, uma personagem cheia de camadas que vai se transformando ao longo dos episódios, mas a transformação não para nela, mas perpassa o universo em que ela está situada.

O episódio piloto retrata uma fragilizada mulher traída pelo seu marido, um homem público, procurador do condado de Cook Country, Illinois. Como cena chave, e, indubitavelmente, uma das mais marcantes da série, temos um Peter Florrick numa coletiva de imprensa assumindo seu adultério diante de todos, contudo, é importante ressaltar que, enquanto relatava seu deslize conjugal para toda a sociedade, a vítima do escândalo estava ao seu lado. Na ocasião citada os produtores nos apresentam Alicia Florrick, a traída.



Um ponto intrigante nisso tudo é a discrepância de pensamentos entre as sociedades brasileira e norte-americana. Nas terras verde-e-amarelas possivelmente não teria tanto impacto um adultério, já que em situações mais graves, essas que dizem respeito diretamente à atuação dessa pessoa pública, o brasileiro assume a posição de um misto de conformismo e ceticismo, aceitando como normal, já que “todo político é ladrão”, e, ao mesmo tempo, de incredulidade quanto às instituições, pois: “não tem jeito para a política no Brasil”. Nos EUA vemos uma ligação forte entre a vida pessoal e vida política, lá, são indissociáveis o dia-a-dia em família e do gabinete. Lá corrupto não é só o que desvia verbas públicas, mas também aquele que trai a esposa.

Essa diferença de realidades põe em xeque o nosso pensamento a respeito do que é a vida pública, de como escolhemos nossos candidatos, da responsabilidade dos nossos políticos e da preocupação com a imagem da instituição. No Brasil, quando vemos a realidade do nosso congresso, tomamos a postura de exclusão, como se vivêssemos num ambiente asséptico, longe do que se passa nos bastidores da política, como um estrangeiro, só que em sua própria pátria. Na terra do Obama temos pessoas que assuem a responsabilidade pelo zelo da instituição, tanto é que, ao buscarem quem os represente, eles buscam um paradigma não só de capacitação para exercer o mandato, mas com dignidade e caráter para não envergonhar a sua nação.

Perdemos a vergonha! Sim, perdemos! Agora somos indiferentes à nossa realidade. Viramos saudosistas, que choram e entusiasmam-se ao falar das vitórias e das lutas do passado, mas que não fazem nada para fazer a mudança do presente, nem muito menos pensam no futuro do país.

Nunca foi tão atual o Renato Russo: “Nas favelas, no senado. Sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição...”, mas ao mesmo tempo tão distante: “Mas todos acreditam no futuro da nação”.

Não pretendo aqui estabelecer os Estados Unidos das América como o arquétipo, no que tange a política e cidadania. No entanto, ainda que num viés ficcional, posso enxergar qualidades que poderíamos nos espelhar.


De que lado você está? Da passividade que abraça qualquer realidade imposta, não importa por quem? Que aceita a crueldade, a indignidade e a desumanidade? Ou você está do lado dos inconformados que fazem a diferença e querem mudar o mundo?

Sejamos como Alicia, que não abraçou sua realidade e sobreviveu em meio à sua tristeza, mas ao invés disso levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Que possamos entender que somos responsáveis pela comunidade; que possamos acordar e fazer a nossa parte; que possamos ajudar ao invés de só apontar; que possamos encher nosso vocabulário do sufixo "amos", trocar "faça" pelo "façamos", o "vá" pelo "vamos", o "acorde" pelo "acordemos", o "lute" pelo "lutemos"; E assim, mudando o pensamento individual pelo coletivo.

Vivamos a luta! Sonhemos lutando! Mova-se! Mude! Faça! A mudança do mundo começa quando você se move. Desejos sem ações são apenas devaneios, mas desejos sucedidos de atitudes mudam qualquer realidade.


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In this acclaimed television series, produced by CBS, we focus on the story of Alicia Florrick, the character full of layers that go turning over the episodes, but the transformation is not for her, but pervades the universe in which it is situated.

The pilot episode it portrays the fragile woman betrayed by her husband, the public man, Attorney of Cook County, Illinois County. The key scene, and, undoubtedly, one of the most striking of the series, we have the Peter Florrick on the press conference taking his adultery in front of all, however, it is important to note that, while reported his marital slide for the whole society, the victim of the scandal was at his side. At the time cited the us producers Alicia Florrick, the betrayed.

An intriguing point in all this is the discrepancy of thoughts between Brazilian and North American societies. In green-and-yellow possibly wouldn't have as much impact on adultery, since in more serious situations, those that relate directly to the performance of this public figure, the Brazilian takes the position of a mixture of resignation and skepticism, accepting the normal, since every politician is a thief, and, at the same time, of incredulity about the institutions, because: theres no way for politics in Brazil. In the us we see a strong connection between the personal life and political life are inseparable, the day-to-day family and the Office. Theres not just the corrupt that diverts public funds, but also one who betrays his wife.

This difference of realities put in check our thoughts about what is public life, how we chose our candidates, our political responsibility and concern for the image of the institution. In Brazil, when we see the reality of our Congress, we take the attitude of exclusion, as if we lived in the aseptic environment, away from whats going on behind the scenes of politics as a foreigner in his own country. In the land of Obama have people assuem responsibility for the institutions zeal, so much so that, to seek to represent them, they seek the paradigm not only for qualification to exercise the mandate, but with dignity and character to not embarrass your nation.

We lost the shame! Yes, we lost! Now we are indifferent to our reality. Turn nostalgic, who cry and enthusiasm to speak of victories and the struggles of the past, but they do nothing to make this change, much less think about the future of the country.

It has never been so current Renato Russo: in the slums, in the Senate. Dirt everywhere. Nobody respects the Constitution ..., but at the same time so far away: But everybody believes in the future of the nation.

I have no intention here to establish the United States of America as the archetype, as it pertains to politics and citizenship. However, even if the fictional bias, can see what qualities we could mirror.

Which side are you on? The passivity that embraces any reality imposed, no matter by whom? To accept the cruelty, the indignity and inhumanity? Or are you on the side of the separatists who make the difference and want to change the world?

Be like Alicia, who has not embraced their reality and survived in the midst of his grief, but instead got up, shook the dust and bounced back. We can understand that we are responsible for the community; We can wake up and do our part; We can help instead of just point; We can fill our vocabulary of the suffix amos, change the from, go by the wake for wake up, the fight for the fight; And so, changing the individual thought by the collective.

Live the fight! Let us dream fighting! Move it! Change! Do it! Changing the world begins when you move. Wishes without actions are only daydreams, but wishes success attitudes change reality.



FABIANO BRONZEADO

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