Spotlight (que aqui no Brasil tem o subtítulo totalmente desnecessário "Segredos Revelados") não é um filme fácil de se assistir. Entretanto, é uma experiência muito recompensadora para todo bom cinéfilo.
O longa, que marca a estreia de Tom McCarthy na direção (ele também co-roteiriza a projeção) é muito absorvente, devido à história importante e engajante que conta (de maneira diferente a um de seus concorrentes na briga pelo Oscar, o filme A Grande Aposta, cujo enredo é extremamente relevante, mas não tão interessante assim). A trama nos mostra o trabalho da equipe de jornalistas do Boston Globe, a Spotlight, que, no começo da década passada, denunciou o escândalo de pedofilia dentro da Igreja Católica.
O roteiro é muito bem escrito (por mim, Spotlight deve ganhar o prêmio referente a esta categoria), com excelentes diálogos e sem espaço para melodrama ou sensacionalismo. O senso de revolta criado aqui é muito forte, mas isso não tira a maturidade do filme, já que ele não confunde a fé com os deméritos da Instituição sediada no Vaticano.
O elenco da projeção é o melhor do ano passado (e olhe que tivemos alguns filmes com castings excelentes na temporada de 2015, tais como Os Oito Odiados e o próprio A Grande Aposta). Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Stanley Tucci e por aí vai. Todos excelentes!
O foco do longa é certeiro ao abordar o trabalho investigativo da equipe e, apenas em alguns momentos, tornar explícito as reações dos personagens às suas descobertas, cada um a sua maneira. Devido a isso, quando alguém desabafa, o peso sentido pelo público é ainda maior do que seria caso o filme ativesse à investigação.
A edição é certinha, muito dinâmica, fazendo com que o filme nunca chegue perto de se tornar enfadonho. A trilha sonora, por sua vez, é ótima, a base de piano, e combina perfeitamente com o tom sóbrio da projeção.
Enfim, Spotlight é, em minha opinião, o melhor longa sobre jornalismo investigativo da história do Cinema. Um filme-documento irretocável. O único capaz de rivalizar com Mad Max: Estrada da Fúria pelo posto de melhor do ano. Se ganhar a principal estatueta da Academia, não dá pra dizer que é injusto.
Nota: 10

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